E hoje eu choro. Choro um choro doído, maligno, bandido. Choro não só, mas em coro com outros tantos, que assim como eu, descobriram, agora, o quão vulnerável pode ser esse tal de "ser humano", o qual insiste, de uma forma um tanto irritante, em viver para si, em função de seu bel-prazer, sem perceber que de nada isso adianta uma vez que nós, "humanos", ainda não conseguimos adquirir o mais cobiçado dos poderes "super-heroísticos": a imortalidade.
É extremamente difícil traduzir em palavras o que se passou nesse domingo, 27 de janeiro de 2013, no Rio Grande do Sul como um todo. Faltam letras, expressões e orações que descrevem o quão impotente nós gaúchos nos sentimos hoje pela manhã ao acordar com a devastadora notícia de que mais de oitenta jovens já haviam sido dados como mortos em decorrência de um incêndio em uma casa noturna, como tantas outras espalhadas pelo mundo, que não apresentava nenhum motivo surreal que justificasse tal ocorrência. Nesse momento, procurar culpados não amenizará a dor uma nação que sente a perda não de entes queridos, mas sim de pessoas como eles, gente como a gente, como nós, vestibulandos e universitários que não só se colocam no lugar das vítimas, mas que vêem nessa fatalidade a imensidão da fragilidade humana.
Foge do comum toda essa loucura. São pais que choram a morte dos filhos, namorados que tiveram um fim de relacionamento trágico, professores que amanhecerão no próximo dia letivo na faculdade com alguns estudantes a menos em classe, e claro, somos nós, jovens estudantes que pararam um dia inteiro para refletir, simplesmente, sobre o que de fato nos aguarda. Percebemos que o mundo é imprevisível, e que não cabe a nós decidir o que é certo e errado, tão pouco quando nossa estadia nesse pequeno planeta terá fim. O que nos cabe nesse momento é enterrar nossos mais de 220 mortos, enlutarmo-nos por alguns dias e seguirmos em frente, tendo em mente que a Deus o futuro pertence, e não esquecendo que a vida vale sim a pena , mesmo que fatalidades como a de hoje insistam em continuar acontecendo.
"Ele fez tudo apropriado a seu tempo. Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade; mesmo assim este não consegue compreender inteiramente o que Deus fez."
Eclesiastes 3:11