Acho tão irônico o fato da segurança ser um "direito
social" previsto pela Constituição Federal Brasileira. E digo isso porque
tenho - assim como a maioria da população de Pelotas e do Brasil como um todo -
a nítida sensação de que, atualmente, a tal da constituição anda em um
"dia do contra", ou seja, a insegurança é que virou direito social.
Só essa semana ouvi relatos de umas 4 pessoas assaltadas à
luz do dia em pleno centro da cidade. Além disso, é absurdo que Pelotas já
tenha declarado 54 homicídios até agora (e acabou d e começar setembro!!). Mas até aí "tudo bem"
porque até então são "só histórias". O problema só fica realmente
expressivo (e falando de uma maneira bem egoísta) quando algo acontece contigo.
Hoje de manhã eu fui para o cursinho como faço todo dia,
estacionei meu carro quase em frente ao prédio onde tenho aula, tranquei as
portas e fui para a aula. Mas vejam só que ironia (mais uma): saio da aula as
12:15h e vejo a janela do carro quebrada, o rádio roubado e alguns estudantes
do lado comentando o absurdo. O mais interessante é que as 08:00h (quando eu
cheguei) o guardador de carro ainda gritou "tá bem cuidado tia" (percebi).
É frustrante ter bens materiais roubados, eu sei. Mas mais
frustrante ainda é saber que a situação tende só a piorar dada a situação
caótica do país.
Ah, quase esqueci: o meu cursinho fica a umas 2 quadras de
distância do posto da Brigada Militar. Entretanto, não posso nem reclamar da
falta de patrulhamento, porque em seguida que sai bufando de ódio com o meu
carro arrombado passei em frente à Brigada e vi protestos. Parei e pensei:
realmente, se eu estivesse ganhando 600 reais que nem eles minha preocupação também
estaria centrada nos meus direitos.
Complicado viver assim. Complicado viver, como diz meu pai,
no país do "salve-se quem puder".