Cansei de mim. Vou me embrulhar pra presente e mandar de volta pro remetente com uma nota de reclamação:
"Veio com defeito, favor refazer. Se possível, que seja mais normal, menos instável e mais pacífica. Com um tantinho mais de amor e compreensão seria o ideal, mas se quiser somente tirar um pouquinho do rancor que assola, já seria de bom grado.
Também gostaria - se não fosse pedir de mais - que a nova versão 2.0 viesse com um sensor melhor de detecção de perigo (como era o anterior, mas que acabou falhando nessa jornada de 20 anos) e com um pouco a mais daquela fantástica habilidade de ler mentes - essa sim eu adoro! -. Além disso, as memórias boas podem ser mantidas, já as ruins - que englobam perdas e frustrações diversas - devem ser deletadas completamente, sem possibilidade de reciclagem.
Já a questão da vida em sociedade (leia-se meio hostil) deve ser revisada, uma vez que tem apresentado muitos (MUITOS) defeitos nesse quesito, por mais que tenha conseguido aos trancos e barrancos manter algumas boas amizades.
Por fim, um pouco de confiança (egocêntrica e social) seria muito, mas muito bem vinda, já que a falta de tal benefício tem feito com que a vida se torne cada dia mais pesarosa."
Seria cômico se não fosse trágico, certo? Pois é, me refazer é uma coisa que eu tenho tentado praticar nos últimos anos. Me reinventar seria tarefa fácil se eu não fosse tão teimosa e tão exigente comigo mesma. Manter todos esses meus defeitos pesa tanto que cansa, e parece que cada dia mais eles se revelam parte fundamental da minha personalidade, e acabam por falar mais alto do aquilo que eu realmente quero pensar, viver e mostrar àqueles que me rodeiam.
"Nós somos o que pensamos e não o que pensamos que somos."
-Talvez seja por isso que eu não consiga me desvencilhar desse meu eu contraditório e egocentrista, porque penso ser algo diferente daquilo que eu realmente penso. Que doido isso...