De vez em quando me pego pensando o quão inconstante e mutável
eu fui durante os últimos anos da minha vida. Mudei de pensamento, evolui,
regredi, evolui de novo e no fim pensei: puta que pariu que foi que eu fiz?
Lembro-me bem que quando eu era criança sempre dizia: quero
ser grande, salvar todos os animais do mundo e de quebra, ainda casar com o príncipe
da Inglaterra! Como se não bastasse, era fresca, odiava livro com mais de 100
paginas e amava praia, verão e calor.
Já com cerca de 12 anos eu amava tanto boybands que chorava
por elas. Sonhava em participar do
programa do Gugu pra tentar conhecer o Gilson do Twister, que olharia pra mim
e ficaria hipnotizado pela minha beleza pré adolescente: cabelos presos, calça
de suplex, sandália da Kelly Key e pochete Malarrara (e eu arrasava). Nessa mesma
idade, eu abominava qualquer tipo de comentário superficial em relação a
meninos bonitos e bandas que eu gostava, a final de contas, eu era uma menina
centrada e culta que chegava a ser incoerente: julgava as meninas mais velhas
de forma errônea por conta das mesmas não saberem falar nada além de fulano,
beltrano e ciclano que eram lindos, maravilhosos e cheirosos, ao mesmo tempo
que me debulhava em lágrimas pelo Leandro do KLB, que era o ser mais perfeito
da face da terra. Vai entender...
Hoje em dia as coisas são diferentes: quero voltar a ser
criança, não tenho paciência com animais e não casei com o príncipe da
Inglaterra (mas isso ainda poderá mudar). Continuo sendo fresca, só leio livros
com mais de 100 paginas e abomino qualquer estação que me faça usar menos que
uma calça e um blusão quentinho como vestimenta, a final de contas, eu não estou no mundo
pra suar e feder ao mesmo tempo em que reclamo e me estresso com o calor
infernal que está fazendo.
Junto com isso, posso afirmar com veemência também que a
minha paixão por boybands não sumiu por completo (isso é segredo), mas em
compensação, me nego a fazer uso de qualquer calçado que leve nome de alguma
cantora “de sucesso”, bem como das calças coladas que são mais incomodas que lã
“pinicante” e da pochete, que carrega no seu interior uma carga pesadíssima de
breguisse.
Por fim sou obrigada a admitir: falar de fulano, beltrano e
ciclano não só é bom como também faz um bem danado! Hoje eu reconheço que um
homem, quando é bonito (leia-se barbudo), merece não só ser admirado, mas
compartilhado com as amigas, uma vez que as mesmas tem pleno direito de
desfrutar da sensação de debater sobre um cara que chama a atenção de alguma
forma. Ô lá em casa!
É, depois de analisar tantas situações ao longo dos meus 19
anos de vida eu chego a uma única conclusão: a contradição é a minha maior e
melhor característica!