sábado, 22 de novembro de 2014

morrer aos 42

Hoje, apesar de ter tido uma noite incrível, eu chorei. Chorei por motivos egoístas, chorei de dor e chorei, principalmente, de tristeza por saber que um cara que eu admirava muito no cenário da música gaúcha morreu. Hoje, o Luciano - Leindecker - me mostrou o grão ingrata eu sou, o quão mesquinha posso ser por sentir inveja e o quão individualista eu sou por me preocupar com o meu eu.
Morrer com 42 anos é algo extremamente ruim, mas morrer aos 42 anos vítima de um câncer que te persegue há oito anos e que de certa forma, por durar tanto tempo, te dá esperança de cura, se torna muito pior para as pessoas que te cercam e que sonham com o teu bem-estar tanto quanto tu. Morrer aos 42 mostra que a vida é frágil, e que qualquer tempo desperdiçado pode vir a fazer falta no futuro. Morrer aos 42 me obriga a enxergar os meus 20 com olhos mas amorosos e menos rancorosos, e me faz, acima de tudo, agradecer por poder ter saúde em meio a tantas coisas ruins, mas que em momento algum podem ser comparadas à morte.
Morrer aos 42 me faz pensar e repensar. Me obriga a ser mais grata.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Insatisfação: o combustível da vida

Ando pensando em muitas coisas aleatórias nos últimos tempos, e entre tantas idas e vindas de devaneios me surgiu uma questão interessante: a insatisfação do ser humano. 
É engraçado (ou triste, não sei) como o ser pensante, a raça nobre, a obra prima de Deus consegue demonstrar tanta insatisfação a respeito de tudo e todos a sua volta. Parece até mentira, mas os homens (e as mulheres também, não me vejam machista) vivem num mundo baseado em expectativas e frustrações, que se apresentam - por vez - muito superiores às alegrias, onde fatores como paixão, emprego, família, carro, etc. são os determinantes aspectos que definem alegria (que na minha humilde opinião não passa de um estado momentâneo). É evidente que a vida se baseia nisso tudo, mas e depois? Depois que tudo foi conquistados? Que os sonhos foram realizados? Depois meus caros, vem o período da insatisfação que motiva, na maioria dos casos, à busca de novos ares e objetivos, mas que também serve para comprovar que a felicidade de obter o que se deseja não passa de um estado ilusório que acaba em pouco tempo.
Complicado isso de sempre querer algo diferente. Mas é mais complicado ainda tentar mudar essa realidade, uma vez que natureza humana não se transforma. Ela é assim e ponto final, a gente se acostuma e continua vivendo de alegrias pequenas (ou até grandes dependendo das pessoas) as quais vão se somando e somando, sem nunca serem suficientes.
É real que nem tudo será realizado, tampouco que o "nirvana" será atingido quando tudo for conquistado, mas a união balanceada da satisfação e da insatisfação absurda são relativamente suficientes a ponto de manter o homem na sua zona de conforto, limitando seus hábitos, suas crenças, sua vida, mas sempre motivando de alguma maneira bizarra que a insatisfação se transforme em ação, ou conformação.


OBS. Acho que eu nunca escrevi algo tão desconexo como hoje. Só queria ter dito que eu ando insatisfeita com a minha condição amorosa ultimamente (e que queria uma paixonite mesmo sabendo que sempre da merda), mas acabei discorrendo sobre um tema tangente à isso de uma forma meio brutal.
Estranho ser eu, muito estranho.

terça-feira, 6 de maio de 2014

não sei, mesmo

Coisas estranhas têm me deixado triste. Estranhas porque eu não consigo definir o que elas são, como elas me afetam e por quê elas existem (na verdade eu nem sei se elas existem). Tudo o que eu sei é que a dor tem sido um sentimento constante nos meus dias. Não dor física, mas dor em lugares impalpáveis, que eu não defino muito bem; e justamente por isso é que eu não consigo me livrar desse peso morto que se instalou em mim - ou que vem se instalando nos últimos 3 anos -.
É muito ruim viver de alegrias momentâneas. E eu digo isso porque eu tenho me segurado nelas nos últimos tempos, a final de contas, eu não tenho conseguido manter algo duradouro na minha vida (muito menos alegrias). Eu sinto que cada dia mais eu afasto as pessoas por não conseguir lidar com elas (ou por não querer compartilhar essa "coisa" com elas, não sei), bem como eu tenho me afastado daquilo que eu amo por falta de vontade, de paixão, de tesão pela vida. Parece que as coisas vão acontecendo e vão acumulando, acontecendo e acumulando, até o ponto em que eu sou tomada por um misto de sentimentos ruins que me impedem de ter sentimentos bons. E o pior é que esse acúmulo me coloca tão pra baixo que tudo me atinge, tudo me fazer chorar e nada (nada mesmo) me faz ter vontade de levantar de manhã.
Eu não sei o que tá acontecendo comigo, e por isso eu não sei o que fazer pra reverter. Eu só quero que passe...

quinta-feira, 6 de março de 2014

defeito

Cansei de mim. Vou me embrulhar pra presente e mandar de volta pro remetente com uma nota de reclamação: 
"Veio com defeito, favor refazer. Se possível, que seja mais normal, menos instável e mais pacífica. Com um tantinho mais de amor e compreensão seria o ideal, mas  se quiser somente tirar um pouquinho do rancor que assola, já seria de bom grado.
Também gostaria - se não fosse pedir de mais - que a nova versão 2.0 viesse com um sensor melhor de detecção de perigo (como era o anterior, mas que acabou falhando nessa jornada de 20 anos) e com um pouco a mais daquela fantástica habilidade de ler mentes - essa sim eu adoro!  -. Além disso, as memórias boas podem ser mantidas, já as ruins - que englobam perdas e frustrações diversas - devem ser deletadas completamente, sem possibilidade de reciclagem. 
Já a questão da vida em sociedade (leia-se meio hostil) deve ser revisada, uma vez que tem apresentado muitos (MUITOS) defeitos nesse quesito, por mais que tenha conseguido aos trancos e barrancos manter algumas boas amizades.
Por fim, um pouco de confiança  (egocêntrica e social) seria muito, mas muito bem vinda, já que a falta de tal benefício tem feito com que a vida se torne cada dia mais pesarosa."
Seria cômico se não fosse trágico, certo? Pois é, me refazer é uma coisa que eu tenho tentado praticar nos últimos anos. Me reinventar seria tarefa fácil se eu não fosse tão teimosa e tão exigente comigo mesma. Manter todos esses meus defeitos pesa tanto que cansa, e parece que cada dia mais eles se revelam parte fundamental da minha personalidade, e acabam por falar mais alto do aquilo que eu realmente quero pensar, viver e mostrar àqueles que me rodeiam. 

"Nós somos o que pensamos e não o que pensamos que somos."
 -Talvez seja por isso que eu não consiga me desvencilhar desse meu eu contraditório e egocentrista, porque penso ser algo diferente daquilo que eu realmente penso. Que doido isso...