Hoje, apesar de ter tido uma noite incrível, eu chorei. Chorei por motivos egoístas, chorei de dor e chorei, principalmente, de tristeza por saber que um cara que eu admirava muito no cenário da música gaúcha morreu. Hoje, o Luciano - Leindecker - me mostrou o grão ingrata eu sou, o quão mesquinha posso ser por sentir inveja e o quão individualista eu sou por me preocupar com o meu eu.
Morrer com 42 anos é algo extremamente ruim, mas morrer aos 42 anos vítima de um câncer que te persegue há oito anos e que de certa forma, por durar tanto tempo, te dá esperança de cura, se torna muito pior para as pessoas que te cercam e que sonham com o teu bem-estar tanto quanto tu. Morrer aos 42 mostra que a vida é frágil, e que qualquer tempo desperdiçado pode vir a fazer falta no futuro. Morrer aos 42 me obriga a enxergar os meus 20 com olhos mas amorosos e menos rancorosos, e me faz, acima de tudo, agradecer por poder ter saúde em meio a tantas coisas ruins, mas que em momento algum podem ser comparadas à morte.
Morrer aos 42 me faz pensar e repensar. Me obriga a ser mais grata.